O Dia da Criança Mora na
Memória.
Há datas que
passam pelo calendário como qualquer outra. E há aquelas que chegam carregadas
de lembranças, despertando cheiros, sons e imagens que pareciam adormecidos. O
Dia da Criança é uma dessas datas.
Quando penso
na infância, não me recordo dos brinquedos mais caros nem dos presentes mais
sofisticados. O que permanece vivo na memória são os pequenos momentos. As
brincadeiras na rua até ao anoitecer, as corridas sem destino, os joelhos
esfolados e as gargalhadas partilhadas com amigos que pareciam ser companheiros
para toda a vida.
Naquele
tempo, um pedaço de papel transformava-se num avião, uma caixa de cartão virava
castelo e qualquer quintal era um universo inteiro por descobrir. Havia uma
magia especial na simplicidade das coisas. A imaginação fazia o trabalho que
hoje tantas tecnologias tentam substituir.
O Dia da
Criança tinha um significado simples, mas especial. Naqueles tempos, a celebração
acontecia apenas na escola. As aulas davam lugar a brincadeiras, jogos e
momentos de convívio que todos aguardávamos com ansiedade. Não esperávamos presentes
nem grandes surpresas. Bastava a oportunidade de viver um dia diferente,
rodeados de amigos e da despreocupação própria da infância. Era uma pequena
pausa na rotina que, para nós, tinha um sabor inesquecível.
Com o passar
dos anos, crescemos. As responsabilidades ocuparam o espaço das brincadeiras e
os compromissos substituíram parte da espontaneidade que caracterizava a
infância. No entanto, existe sempre uma criança dentro de cada adulto. Ela
revela-se quando folheamos um álbum de fotografias antigas, quando contamos
histórias dos tempos de escola ou quando sorrimos ao recordar aventuras que
pareciam grandiosas aos nossos olhos de criança.
Hoje, o Dia
da Criança tem um significado diferente. Já não o vivemos como protagonistas,
mas como testemunhas da alegria dos mais novos. Muitos de nós temos agora
filhos ou netos e encontramos um prazer especial em vê-los sorrir, brincar e
descobrir o mundo com a mesma curiosidade que um dia foi nossa. Ao
acompanhá-los nas suas comemorações, revivemos um pouco da nossa própria
infância e percebemos que as memórias mais bonitas não se perdem, apenas ganham
novas formas.
Talvez seja
essa a verdadeira magia desta data. A capacidade de unir gerações através de
momentos simples, feitos de carinho, atenção e presença. E, enquanto observamos
os nossos filhos ou netos celebrar o Dia da Criança, descobrimos que a melhor
forma de honrar as nossas memórias é ajudar a criar novas recordações que eles
guardarão para toda a vida.
Neste
Dia da Criança, deixo também um pequeno desafio a todos os meus leitores. Nunca
deixem morrer a criança que existe dentro de vós. Continuem a cultivar a
curiosidade, a capacidade de sonhar, o gosto pelas coisas simples e a alegria
de sorrir sem motivo especial. A vida torna-se mais leve quando conservamos um
pouco desse olhar inocente e genuíno que tínhamos em criança. E, acima de tudo,
nunca se esqueçam de que também já foram crianças. As memórias dessa fase da
vida são parte da nossa história e ajudam-nos a compreender quem somos hoje.
Guardá-las com carinho é uma forma de manter viva a essência que o tempo nunca
deveria apagar.

Lindo e verdadeiro texto... São tantas lembranças e mudanças... Feliz dia para as crianças grandes e pequenas!
ResponderEliminarLinda semana, feliz JUNHO! beijos, chica
Um feliz Dia da Criança amiga Chica!
EliminarUm abraço boa semana e um Junho sorridente.
Olá, tudo bem?
ResponderEliminarQue texto carregado de tantas memórias, tantos momentos que passamos na infância de "antigamente". E no final de tudo, é isso mesmo, temos que manter nossa criança interior viva!
abraços
Pois é amigo Eduardo. Temos que continuar a brincar, nem que seja aos Blogs :)
EliminarUm abraço.
Infelizmente continuam a ser vítimas dos bárbaros deste mundo.
ResponderEliminarUm abraço, boa semana
É verdade amigo Pedro.
EliminarBárbaros que nunca foram crianças.
Um abraço.
Gostei mesmo muito de ler esse texto magnífico sobre o Dia da Criança.
ResponderEliminarAbraço tripeiro, desejando-lhe uma semana em beleza.
Muito obrigado Teresa.
EliminarUm abraço, boa semana e um Junho muito sorridente.
O Dia da Criança é celebrado em novembro no Canadá.
ResponderEliminarComo sempre, as suas memórias, tão bem descritas, fazem-me recordar as minhas.
Recordo vivamente as três frases da minha infância: a única responsabilidade que tinha era ser boa aluna. Não só porque gostava de o ser, mas também porque era muito importante para os meus pais. Rodeada de mimo, sem exagero, de amor e liberdade, e não me faltando nada, consegui ser imune à arrogância, muito “popular” naquele tempo. : )
Não se ouvia falar de crianças ansiosas ou super estimuladas. Hoje é do que mais se fala. Hoje, têm excesso de atividades extracurriculares que as impedem de ser tempo livre e escolher, elas próprias, o que querem fazer numa determinada hora do dia. As crianças de hoje estão mentalmente exaustas.
Bem verdade amiga Catarina.
EliminarNós só ficávamos cansados bem no fim do dia depois de corridas e verdadeiras brincadeiras com amigos e vizinhos. Agora é comum ouvir as crianças dizerem que estão cansadas sem terem sequer brincado. Defendo que até uma determinada idade uma das atividades nas escolas deveria ser tempo para brincar!
Um abraço e boa semana.
E eu defendo, há anos, que os “trabalhos de casa/escolares” deveriam ser abolidos.
Eliminar: )
Também subscrevo!
EliminarNão tenho grandes saudades dos tempos de criança, foram anos difíceis numa família em crescimento em que até as crianças tinham que trabalhar para ajudar a criar os mais novos. Eu sempre tive tarefas a cumprir, depois dos 6 anos de idade!
ResponderEliminarTem que procurar bem no fundo do baú das memórias, vai ver que encontra um ou outro episódio que lhe vai por um sorriso no rosto.
EliminarUm abraço positivo!
Nunca deixei a criança que há em mim e todos os dias falo com ela:)
ResponderEliminarNão festejei porque os netos já são crescidos e estão ainda nos exames! Sempre fui positiva e uma neta pediu-me: avó dred faz a tua
"macumba" para eu ter uma boa nota e respondi estudaste? Sim e muito...então acredita e venha de lá um 18 e picos. Teve 19:)))e assim foi o dia da criança!
Gostei muito deste teu texto!
Beijos e um bom dia!
Olá "avó dred Fatyly!
EliminarO acreditar é meio caminho andado para o sucesso. O outro meio é o trabalho! A sua neta já deve ter percebido isso.
Um abraço e boa semana.
Olá, Rui, as minhas palavras por vezes tardam , mas nunca falham! :-)
ResponderEliminarNa verdade, nas minhas memórias de infância éramos crianças todos os dias. Não havia essa modernice dos dias disto e daquilo.
Quem vivia com alegria, com ela ficava, outras crianças menos afortunadas, eram tristes quase sempre.
Felizmente que os tempos mudaram, não nesse sentido de terem um Dia deles, isso é o que menos importa, mas no sentido de haver menos discrepância entre os que levam o lanche para a escola e os que não levam nada. Para esses, mais desprotegidos, já lhes é facultado uma sandes e um pacotinho de sumo ou leite.
Isso, para mim, é o mais importante.
Para brincar, sempre se arranjava tempo e os brinquedos até se improvisavam a partir do que viesse à mão.
Sobrecarregar as crianças com trabalhos escolares para fazer em casa é que não concordo, embora eu também os tivesse e despachasse a correr para ir brincar. No entanto, penso se não será uma forma de impedir os acessos fáceis a jogos e outras actividades perniciosas, como as redes sociais.
Pois não sei, não fui professora, mas tentei ensinar a ler uma amiga lá no Alentejo, que ficou analfabeta por ter de ajudar a avó a tomar conta dos irmãos pequenos e da casa. Quantas vezes ela foi pedir à vizinha Ana José, minha mãe, envergonhada, uma tampinha (do cântaro de azeite) para a avó fazer a açorda de alho...
Ainda hoje somos amigas. Sempre que vou à minha santa terrinha, nunca deixo de visitar a Bia Gertrudes.
Fomos criadas juntas, naquela sã amizade que não conhecia extratos socias. Era tão amiga da Bia quanto das meninas 'finas', filhas de pais abastados.
A partir dos doze anos - já fora das minhas belas planícies - também eu haveria de comer o pão que o diabo amassou.
Peço desculpa Rui, a sua excelente narrativa levou-me a tempos idos, e deixei-me levar palas minhas memórias.
Um grande abraço
Olá Janita,
EliminarNão tem de pedir desculpa. Pelo contrário, agradeço-lhe muito por ter partilhado essas memórias tão genuínas e tão cheias de humanidade.
Tempos de uma infância simples, onde a amizade não conhecia diferenças sociais e onde a imaginação transformava qualquer coisa num brinquedo. São recordações que nos ajudam a compreender melhor o caminho percorrido e a valorizar as conquistas sociais que, felizmente, hoje existem.
Fiquei particularmente sensibilizado com a história da Bia Gertrudes. É um testemunho vivo de um tempo difícil para muitas famílias, mas também da força dos laços que se criavam entre as pessoas. O facto de manterem essa amizade até aos dias de hoje diz muito sobre ambas.
Concordo consigo quando afirma que o mais importante não são os dias comemorativos, mas sim garantir que nenhuma criança fique para trás, seja na alimentação, na educação ou nas oportunidades para construir um futuro melhor.
A sua reflexão enriqueceu muito este espaço. Afinal, são estas partilhas, feitas de vivências verdadeiras, que dão alma às histórias e nos permitem viajar por tempos que não devemos esquecer.
Um grande abraço e muito obrigado pela sua presença e pelo carinho das suas palavras.
No meu tempo não se festejava este dia, mas a minha infância foi cheia de correrias, gargalhadas, brincadeiras sem fim, na rua, com miúdas como eu, até a mãe me chamar.
ResponderEliminarAbraço
A necessidade de o festejar hoje em dia também tem a haver com as injustiças que milhares de crianças padecem indefesas todos os dias por esse mundo fora.
EliminarUm abraço.
O dia da criança serve para nos lembrarmos de tantas crianças que passam fome e frio e que morrem em guerras sem sentido.
ResponderEliminarTudo de bom.
Um beijo.
É exatamente isso Graça.
EliminarAté parece que alguns adultos, que hoje estão em posições de governabilidade, já se esqueceram do tempo em que foram crianças.
Um abraço.