01 junho 2026


O Dia da Criança Mora na Memória.

            Há datas que passam pelo calendário como qualquer outra. E há aquelas que chegam carregadas de lembranças, despertando cheiros, sons e imagens que pareciam adormecidos. O Dia da Criança é uma dessas datas.

            Quando penso na infância, não me recordo dos brinquedos mais caros nem dos presentes mais sofisticados. O que permanece vivo na memória são os pequenos momentos. As brincadeiras na rua até ao anoitecer, as corridas sem destino, os joelhos esfolados e as gargalhadas partilhadas com amigos que pareciam ser companheiros para toda a vida.

            Naquele tempo, um pedaço de papel transformava-se num avião, uma caixa de cartão virava castelo e qualquer quintal era um universo inteiro por descobrir. Havia uma magia especial na simplicidade das coisas. A imaginação fazia o trabalho que hoje tantas tecnologias tentam substituir.

            O Dia da Criança tinha um significado simples, mas especial. Naqueles tempos, a celebração acontecia apenas na escola. As aulas davam lugar a brincadeiras, jogos e momentos de convívio que todos aguardávamos com ansiedade. Não esperávamos presentes nem grandes surpresas. Bastava a oportunidade de viver um dia diferente, rodeados de amigos e da despreocupação própria da infância. Era uma pequena pausa na rotina que, para nós, tinha um sabor inesquecível.

            Com o passar dos anos, crescemos. As responsabilidades ocuparam o espaço das brincadeiras e os compromissos substituíram parte da espontaneidade que caracterizava a infância. No entanto, existe sempre uma criança dentro de cada adulto. Ela revela-se quando folheamos um álbum de fotografias antigas, quando contamos histórias dos tempos de escola ou quando sorrimos ao recordar aventuras que pareciam grandiosas aos nossos olhos de criança.

            Hoje, o Dia da Criança tem um significado diferente. Já não o vivemos como protagonistas, mas como testemunhas da alegria dos mais novos. Muitos de nós temos agora filhos ou netos e encontramos um prazer especial em vê-los sorrir, brincar e descobrir o mundo com a mesma curiosidade que um dia foi nossa. Ao acompanhá-los nas suas comemorações, revivemos um pouco da nossa própria infância e percebemos que as memórias mais bonitas não se perdem, apenas ganham novas formas.

            Talvez seja essa a verdadeira magia desta data. A capacidade de unir gerações através de momentos simples, feitos de carinho, atenção e presença. E, enquanto observamos os nossos filhos ou netos celebrar o Dia da Criança, descobrimos que a melhor forma de honrar as nossas memórias é ajudar a criar novas recordações que eles guardarão para toda a vida.

            Neste Dia da Criança, deixo também um pequeno desafio a todos os meus leitores. Nunca deixem morrer a criança que existe dentro de vós. Continuem a cultivar a curiosidade, a capacidade de sonhar, o gosto pelas coisas simples e a alegria de sorrir sem motivo especial. A vida torna-se mais leve quando conservamos um pouco desse olhar inocente e genuíno que tínhamos em criança. E, acima de tudo, nunca se esqueçam de que também já foram crianças. As memórias dessa fase da vida são parte da nossa história e ajudam-nos a compreender quem somos hoje. Guardá-las com carinho é uma forma de manter viva a essência que o tempo nunca deveria apagar.


 

22 comentários:

  1. Lindo e verdadeiro texto... São tantas lembranças e mudanças... Feliz dia para as crianças grandes e pequenas!
    Linda semana, feliz JUNHO! beijos, chica

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    1. Um feliz Dia da Criança amiga Chica!
      Um abraço boa semana e um Junho sorridente.

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  2. Olá, tudo bem?

    Que texto carregado de tantas memórias, tantos momentos que passamos na infância de "antigamente". E no final de tudo, é isso mesmo, temos que manter nossa criança interior viva!

    abraços

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    1. Pois é amigo Eduardo. Temos que continuar a brincar, nem que seja aos Blogs :)
      Um abraço.

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  3. Infelizmente continuam a ser vítimas dos bárbaros deste mundo.
    Um abraço, boa semana

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    1. É verdade amigo Pedro.
      Bárbaros que nunca foram crianças.
      Um abraço.

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  4. Gostei mesmo muito de ler esse texto magnífico sobre o Dia da Criança.
    Abraço tripeiro, desejando-lhe uma semana em beleza.

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    1. Muito obrigado Teresa.
      Um abraço, boa semana e um Junho muito sorridente.

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  5. O Dia da Criança é celebrado em novembro no Canadá.
    Como sempre, as suas memórias, tão bem descritas, fazem-me recordar as minhas.
    Recordo vivamente as três frases da minha infância: a única responsabilidade que tinha era ser boa aluna. Não só porque gostava de o ser, mas também porque era muito importante para os meus pais. Rodeada de mimo, sem exagero, de amor e liberdade, e não me faltando nada, consegui ser imune à arrogância, muito “popular” naquele tempo. : )
    Não se ouvia falar de crianças ansiosas ou super estimuladas. Hoje é do que mais se fala. Hoje, têm excesso de atividades extracurriculares que as impedem de ser tempo livre e escolher, elas próprias, o que querem fazer numa determinada hora do dia. As crianças de hoje estão mentalmente exaustas.

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    1. Bem verdade amiga Catarina.
      Nós só ficávamos cansados bem no fim do dia depois de corridas e verdadeiras brincadeiras com amigos e vizinhos. Agora é comum ouvir as crianças dizerem que estão cansadas sem terem sequer brincado. Defendo que até uma determinada idade uma das atividades nas escolas deveria ser tempo para brincar!
      Um abraço e boa semana.

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    2. E eu defendo, há anos, que os “trabalhos de casa/escolares” deveriam ser abolidos.
      : )

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  6. Não tenho grandes saudades dos tempos de criança, foram anos difíceis numa família em crescimento em que até as crianças tinham que trabalhar para ajudar a criar os mais novos. Eu sempre tive tarefas a cumprir, depois dos 6 anos de idade!

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    1. Tem que procurar bem no fundo do baú das memórias, vai ver que encontra um ou outro episódio que lhe vai por um sorriso no rosto.
      Um abraço positivo!

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  7. Nunca deixei a criança que há em mim e todos os dias falo com ela:)
    Não festejei porque os netos já são crescidos e estão ainda nos exames! Sempre fui positiva e uma neta pediu-me: avó dred faz a tua
    "macumba" para eu ter uma boa nota e respondi estudaste? Sim e muito...então acredita e venha de lá um 18 e picos. Teve 19:)))e assim foi o dia da criança!
    Gostei muito deste teu texto!
    Beijos e um bom dia!

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    1. Olá "avó dred Fatyly!
      O acreditar é meio caminho andado para o sucesso. O outro meio é o trabalho! A sua neta já deve ter percebido isso.
      Um abraço e boa semana.

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  8. Olá, Rui, as minhas palavras por vezes tardam , mas nunca falham! :-)
    Na verdade, nas minhas memórias de infância éramos crianças todos os dias. Não havia essa modernice dos dias disto e daquilo.
    Quem vivia com alegria, com ela ficava, outras crianças menos afortunadas, eram tristes quase sempre.
    Felizmente que os tempos mudaram, não nesse sentido de terem um Dia deles, isso é o que menos importa, mas no sentido de haver menos discrepância entre os que levam o lanche para a escola e os que não levam nada. Para esses, mais desprotegidos, já lhes é facultado uma sandes e um pacotinho de sumo ou leite.
    Isso, para mim, é o mais importante.

    Para brincar, sempre se arranjava tempo e os brinquedos até se improvisavam a partir do que viesse à mão.
    Sobrecarregar as crianças com trabalhos escolares para fazer em casa é que não concordo, embora eu também os tivesse e despachasse a correr para ir brincar. No entanto, penso se não será uma forma de impedir os acessos fáceis a jogos e outras actividades perniciosas, como as redes sociais.
    Pois não sei, não fui professora, mas tentei ensinar a ler uma amiga lá no Alentejo, que ficou analfabeta por ter de ajudar a avó a tomar conta dos irmãos pequenos e da casa. Quantas vezes ela foi pedir à vizinha Ana José, minha mãe, envergonhada, uma tampinha (do cântaro de azeite) para a avó fazer a açorda de alho...
    Ainda hoje somos amigas. Sempre que vou à minha santa terrinha, nunca deixo de visitar a Bia Gertrudes.
    Fomos criadas juntas, naquela sã amizade que não conhecia extratos socias. Era tão amiga da Bia quanto das meninas 'finas', filhas de pais abastados.
    A partir dos doze anos - já fora das minhas belas planícies - também eu haveria de comer o pão que o diabo amassou.

    Peço desculpa Rui, a sua excelente narrativa levou-me a tempos idos, e deixei-me levar palas minhas memórias.
    Um grande abraço

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    1. Olá Janita,
      Não tem de pedir desculpa. Pelo contrário, agradeço-lhe muito por ter partilhado essas memórias tão genuínas e tão cheias de humanidade.
      Tempos de uma infância simples, onde a amizade não conhecia diferenças sociais e onde a imaginação transformava qualquer coisa num brinquedo. São recordações que nos ajudam a compreender melhor o caminho percorrido e a valorizar as conquistas sociais que, felizmente, hoje existem.
      Fiquei particularmente sensibilizado com a história da Bia Gertrudes. É um testemunho vivo de um tempo difícil para muitas famílias, mas também da força dos laços que se criavam entre as pessoas. O facto de manterem essa amizade até aos dias de hoje diz muito sobre ambas.
      Concordo consigo quando afirma que o mais importante não são os dias comemorativos, mas sim garantir que nenhuma criança fique para trás, seja na alimentação, na educação ou nas oportunidades para construir um futuro melhor.
      A sua reflexão enriqueceu muito este espaço. Afinal, são estas partilhas, feitas de vivências verdadeiras, que dão alma às histórias e nos permitem viajar por tempos que não devemos esquecer.
      Um grande abraço e muito obrigado pela sua presença e pelo carinho das suas palavras.

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  9. No meu tempo não se festejava este dia, mas a minha infância foi cheia de correrias, gargalhadas, brincadeiras sem fim, na rua, com miúdas como eu, até a mãe me chamar.

    Abraço

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    1. A necessidade de o festejar hoje em dia também tem a haver com as injustiças que milhares de crianças padecem indefesas todos os dias por esse mundo fora.
      Um abraço.

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  10. O dia da criança serve para nos lembrarmos de tantas crianças que passam fome e frio e que morrem em guerras sem sentido.
    Tudo de bom.
    Um beijo.

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    1. É exatamente isso Graça.
      Até parece que alguns adultos, que hoje estão em posições de governabilidade, já se esqueceram do tempo em que foram crianças.
      Um abraço.

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