11 de Setembro — Entre a memória e a esperança
Depois de uma pausa motivada pelas férias, regresso a este espaço de memórias. E não encontrei melhor forma de voltar do que recordar um daqueles dias que, apesar de terem acontecido há tantos anos, continuam presentes na memória de todos nós.
Há dias que
passam. Há outros que ficam. O 11 de Setembro é, sem dúvida, um deles.
Ainda hoje
me lembro do ar aterrador do meu colega quando entrou no escritório. Trazia no
rosto uma expressão de perplexidade, quase de incredulidade, e disse-nos, meio
atordoado: “Estão a atacar os Estados Unidos.”
Como era
possível? Como podia estar a acontecer um ataque daquela dimensão? Pouco depois
chegaram as imagens. As torres, o fumo, os aviões, as pessoas a correr, a
confusão. E nós, diante dos ecrãs, tentávamos compreender aquilo que estávamos
a ver.
O medo
instalou-se. Pela primeira vez, para muitos de nós, a sensação de segurança que
dávamos como garantida pareceu desaparecer. O mundo que conhecíamos parecia ter
mudado diante dos nossos olhos. Viajar, entrar num aeroporto ou ver um avião no
céu, pequenos gestos do quotidiano passaram a ser vistos de outra maneira.
Mas talvez
seja isso que torna o 11 de Setembro tão marcante. Não são apenas as imagens
que ficaram nos livros de História. Somos nós que continuamos a carregar aquela
memória.
Todos nos
lembramos onde estávamos, o que estávamos a fazer, com quem estávamos e o que
pensamos naquele momento. Eu lembro-me daquele escritório, do rosto assustado
do meu colega e da sensação de que, a partir dali, nunca mais olharíamos para o
mundo da mesma forma.
Passaram-se
anos. A vida continuou, como sempre continua. Vieram outras preocupações,
outros acontecimentos, momentos felizes e momentos difíceis. Mas há memórias
que não envelhecem. Basta chegar o 11 de Setembro para que regressem, quase
intactas.
E há ainda
uma razão muito pessoal para esta data ter um significado especial para mim No
meu caso, quero lembrar-me que, logo depois de um dos dias mais sombrios que
guardo na memória, a vida quis oferecer-me uma das suas maiores razões para
sorrir.
A minha filha.
Para mim o
11 de Setembro é a véspera do aniversário da minha filha.
É curioso
pensar que, depois de um dos dias mais sombrios que guardamos na memória, chega
o dia seguinte para nos lembrar precisamente do contrário.
A Vida.
O nascimento
de uma criança traz sempre esperança. É um novo começo, uma promessa de futuro,
uma razão para acreditar que, apesar de todas as tempestades, haverá sempre um
novo dia.
Por isso,
quando o 11 de Setembro regressa ao calendário, não quero lembrar apenas o medo
e a tragédia. Quero lembrar também aquilo que veio depois. A vida que
continuou, os sonhos que nasceram e a esperança que nunca devemos perder.
Amanhã,
quando celebrar o aniversário da minha filha, vou lembrar-me inevitavelmente
deste dia. Mas a minha memória não terminará no medo.
Terminará num sorriso.
Porque
depois da tempestade vem a bonança. E, por vezes, a bonança chega da forma mais
bonita que existe. O nascimento de uma criança.
Porque,
apesar de todas as tragédias, de todas as incertezas e de tudo aquilo que não
podemos controlar, há uma coisa que a vida nos continua a ensinar:
- Enquanto
houver vida, haverá sempre esperança.

O dia 12 de setembro foi e continua a ser um dia muito feliz para si. Apraz-me saber. : )
ResponderEliminarDepois do ataque terrorista a discriminação e o preconceito voltados para as minorias religiosas e étnicas aumentaram drasticamente também no Canadá. Os habitantes de cabeça coberta eram olhados de outra forma, mesmo os que não eram islamistas como os grupos hindus e siques.
Na semana seguinte ao 11 de setembro, levei a minha mãe ao hospital para uma consulta de seguimento. Uma das enfermeiras que nos atendeu usava o hijab. Por breves segundos, pensei no ataque e lamentei antecipadamente o que aquela enfermeira poderia sofrer com as atitudes dos pacientes daquela semana em diante.
A descontração com que viajávamos por via aérea alterou-se imediatamente. Ainda hoje não podemos levar frascos de líquidos com mais de 100 ml. Descalçamos os sapatos na área de controlo de segurança. Não podemos levar baterias connosco, e muito menos facas de bolso, como era habitual há mais de 25 anos.
Recordo como alguns passageiros barafustavam com as demoras, com as esperas... Eu, nas calmas, preferia sentir-em em segurança; sabia que o avião não levantaria voo sem mim.
O mundo nunca mais foi o mesmo. Tão terrível o que aconteceu.
ResponderEliminarParabéns à sua filha. Que seja muito feliz.
Tudo de bom.
Um beijo.
Eu estava no aeroporto com o meu genro à espera da minha filha que vinha de um congresso de lá mas felizmente o avião aterrou em Lisboa!
ResponderEliminarAté a ver o meu coração e o dele estavam em choque e ela viu-nos e ainda não sabia do sucedido!
O mundo mudou mas deixa-me dizer-te que na actualidade com o loiro varrido a América não está segura e todos nós apanhamos por tabela as suas loucuras!
Parabéns para a tua filhota e que contes muitos mais!
Beijos e um bom domingo!
Boa noite, R. Correia
ResponderEliminarAcontecimento aterrador que nos incutiu um medo
irreprimível durante muito tempo. Como o mundo mudou
agora, parece, que já contamos com ele a toda a hora.
Terminou o seu texto com uma palavra de esperança.
O nascimento de uma criança é sempre um sinal de
esperança, realmente.
Muitos parabéns pelo aniversário da sua filha, que lhe
deve ter trazido muitas alegrias.
Abraço
Olinda
Só hoje vi esta publicação!
ResponderEliminarO Blogger não está a actualizar a informação nos nossos blogs e ficamos às escuras sobre novas publicações!
O 11 de Setembro nem é bom lembrar!!!