O Justiceiro voltou... e trouxe a adolescência com
dele!
Esta semana
deparei-me com uma notícia que me fez sorrir de imediato. Uma réplica do famoso
carro da série O Justiceiro (Knight Rider) vai estar em exposição
num bar perto de minha casa.
Foi daquelas
notícias que nos fazem viajar no tempo sem pedir licença. De repente, deixei de
estar em 2026 e voltei aos finais das tardes de domingo da minha adolescência A
notícia era pequena, mas bastou ler aquelas poucas linhas para ser transportado
quarenta anos para trás. Era quase um ritual. O domingo estava a chegar ao fim,
a escola esperava-nos na segunda-feira, mas havia sempre um momento reservado
para acompanhar as aventuras de Michael Knight e do inseparável KITT. Naquela
altura, não havia streaming, gravações automáticas ou a possibilidade de ver os
episódios quando nos apetecesse. Se perdíamos um episódio... estava perdido.
Por isso, quando chegava a hora, a televisão era dona da sala e ninguém me
arrancava dali.
Naquela
época, tudo aquilo parecia pura ficção científica. Um carro que conduzia
sozinho? Impossível. Um homem que falava com o relógio para comunicar com o
carro? Ainda mais impossível. Na nossa imaginação, aquele era o futuro. Um
futuro distante, quase inalcançável.
E, no
entanto, cá estamos e percebemos que muitas dessas ideias deixaram de ser
ficção.
Os relógios
já não servem só para nos indicar as horas, permitem-nos fazer chamadas,
responder a mensagens, consultar mapas ou controlar equipamentos em casa. Os
carros estão cada vez mais inteligentes, conseguem estacionar praticamente sem
ajuda, manter-se na faixa de rodagem e alguns já percorrem quilómetros quase
sem intervenção do condutor. Ainda não temos um KITT exatamente igual ao da
televisão, mas estamos muito mais perto dele do que alguma vez imaginámos
enquanto víamos a série numa televisão que mais parecia uma caixa de madeira com
vidro na frente.
Talvez seja
por isso que esta notícia me tenha despertado tantas recordações.
Não é apenas
um carro em exposição. É um símbolo de uma época em que sonhávamos sem limites.
Em que acreditávamos que o futuro seria extraordinário. Em que cada nova
tecnologia nos deixava de boca aberta.
Também me
fez pensar em como vivíamos a televisão de forma diferente. As séries eram
acontecimentos. Esperávamos uma semana inteira por um novo episódio e, no dia
seguinte, falava-se dele na escola, no café ou entre amigos. Todos tinham visto
a mesma aventura e todos comentavam a mesma cena. Havia um sentimento de
partilha que hoje, com centenas de canais e plataformas, se foi perdendo por
completo.
Para nós, miúdos
daquela época, não era apenas uma série. Era a capacidade que tinha de nos
fazer sonhar. Fazia-nos acreditar que um dia a tecnologia ultrapassaria tudo o
que conhecíamos. E isso para um miúdo naqueles anos 80 era fascinante.
Quando for
ver aquela réplica do KITT, sei que vou admirar todos os detalhes. A carroçaria
preta impecável, a luz vermelha a deslizar de um lado para o outro na frente do
carro, o interior repleto de botões e ecrãs que, na altura, pareciam saídos do longínquo
século XXI.
Mas, acima
de tudo, vou estar a olhar para um pedaço da minha própria história.
Vou lembrar-me das tardes de
domingo, da música inesquecível da abertura, da ansiedade de esperar mais uma
semana pelo episódio seguinte e das conversas com os amigos sobre as proezas
daquele carro "inteligente". Vou recordar uma época em que ainda não
existia Internet, telemóveis ou redes sociais, mas em que a imaginação fazia o
resto.
Há quem diga que nunca devemos
olhar para trás. Eu discordo. Tal como quando conduzimos, também na vida o
retrovisor tem a sua utilidade. As memórias ajudam-nos a perceber de onde
vimos, mas é em frente que o futuro nos espera.

Sem comentários:
Enviar um comentário