O feriado que ainda está por
decretar!
Passaram dez
anos. Parece impossível.
Naquela
noite, Portugal enfrentava a França, em Paris. Perdemos Cristiano Ronaldo cedo
e todos pensávamos que o sonho acabava ali. Mas a Seleção fez aquilo que tantas
vezes se exige aos portugueses. Resistiu, acreditou e nunca desistiu.
Até que, aos
109 minutos, um nome que poucos esperavam se tornou eterno.
Éder.
Quis
o destino que fosse precisamente o mais improvável a escrever a página mais
importante da história do futebol português. Éder não era a maior estrela,
aliás nem era uma estrela sequer! Não era o jogador de quem todos esperavam o
momento decisivo. Mas foi dele o remate que fez explodir um país inteiro de
alegria. Talvez seja essa uma das maiores lições que a vida nos dá. Nem sempre
são os favoritos que mudam a história. Muitas vezes, são aqueles em quem poucos
acreditam, aqueles que trabalham em silêncio e esperam pela sua oportunidade. A
vida, tal como o futebol, tem o estranho hábito de surpreender e de mostrar que
basta um único momento para transformar um homem comum em inesquecível.
A frase
ficou para a história: "Hoje é feriado cara…!!!" E a verdade é
que, dez anos depois, continuo a achar que sim.
Porque naquele
instante não foi apenas uma bola que entrou na baliza. Foi um país inteiro que
explodiu de alegria. Um povo habituado a sofrer viu, finalmente, o sonho
tornar-se realidade.
Guardo uma
memória muito especial dessa noite. Assim que o árbitro apitou para o fim do
jogo, saímos para a rua. Eu, a minha mulher e os meus filhos. Entrámos no carro
e fomos para as ruas de Barcelos, a buzinar sem parar, misturados com centenas
de outras pessoas que faziam exatamente o mesmo. Bandeiras nas janelas,
sorrisos estampados nos rostos, abraços entre desconhecidos, crianças ao colo
dos pais, idosos emocionados. Durante algumas horas não havia diferenças, nem
preocupações, nem problemas. Havia apenas um sentimento comum. O orgulho de
sermos Portugueses.
Ainda hoje,
quando oiço o relato daquele golo ou revejo as imagens, volto imediatamente a
essa noite. Consigo quase ouvir novamente as buzinas, sentir a alegria
contagiante das ruas e recordar os olhos dos meus filhos, felizes por estarem a
viver um momento que sabiam ser histórico.
Nem todos
gostam de futebol. E isso é perfeitamente natural. Mas acredito que aquele dia
ultrapassou o desporto. Foi um raro momento em que um país inteiro celebrou
unido. Um momento em que nos sentimos capazes de tudo.
Dez anos
passaram. Algumas coisas mudaram. Os miúdos cresceram, a vida seguiu o seu
caminho, surgiram novas alegrias e também novas dificuldades. Mas há memórias
que o tempo não consegue apagar.
A noite em
que Éder calou a França.
A noite em
que Portugal foi campeão da Europa.
Por isso,
sempre que chegar o dia 10 de julho, faço questão de sorrir ao recordar tudo
isto. Porque há datas que pertencem aos livros da História. E há outras que
pertencem ao coração.
Esta pertence
aos dois.
E,
convenhamos... o Éder tinha razão.
Este dia
devia mesmo ser feriado.

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