09 junho 2026


Hoje faço 50 anos!

            Metade de um século. Escrever esta frase faz-me sorrir, porque durante muitos anos essa idade parecia tão distante que quase pertencia a outra vida. E, de certa forma, pertence mesmo.

            Ao olhar para trás, vejo muito mais do que datas, fotografias ou acontecimentos. Vejo pessoas que deixaram marcas, caminhos que escolhi e outros que deixei por percorrer. Vejo erros que, na altura, pareciam derrotas e que acabaram por se transformar em lições valiosas. Vejo sonhos concretizados e outros que mudaram de forma ao longo do tempo.

            Aos 50 anos percebo que a vida não é uma corrida para chegar primeiro a algum lugar. É uma coleção de momentos, de encontros, de despedidas, de recomeços e de pequenas alegrias que muitas vezes só reconhecemos quando olhamos para trás.

            Aprendi que o tempo é o bem mais precioso que possuímos. Aprendi a valorizar mais as pessoas do que as coisas, mais as experiências do que as aparências. Aprendi que nem tudo está sob o nosso controlo e que aceitar isso traz uma paz que a juventude raramente conhece.

            Também aprendi que nunca é tarde para começar algo novo. A idade não fecha portas, apenas nos ensina a escolher melhor quais vale a pena abrir.

            Hoje agradeço. À família, aos amigos, aos que ficaram e aos que partiram deixando ensinamentos. Agradeço pelos dias fáceis e pelos difíceis, porque todos contribuíram para a pessoa que sou agora.

            Mas quando olho para esta fotografia, vejo mais do que um retrato de infância. Vejo o menino que sonhava sem limites, que descobria o mundo com espanto e que acreditava que tudo era possível.

            Esse menino nunca desapareceu. Continua aqui em mim. Continua a emocionar-se com as pequenas coisas, a sonhar novos caminhos, a rir, a sorrir, a aprender e a acreditar na beleza da vida.

            Aos 50 anos, carrego comigo a experiência do homem que me tornei, mas também a esperança e a vontade de viver daquele menino que um dia fui e que teimosamente continuo a querer ser.

            Porque envelhecer não é perder a criança que existe em nós. É aprender a caminhar com ela, valorizá-la e permitir que continue a iluminar o caminho.

            Os 50 anos não são um ponto de chegada. São apenas mais uma página de uma história que ainda está a ser escrita.

            E que privilégio é poder continuar a escrevê-la.

            Obrigado Vida!


 

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