Hoje faço 50 anos!
Metade
de um século. Escrever esta frase faz-me sorrir, porque durante muitos anos
essa idade parecia tão distante que quase pertencia a outra vida. E, de certa
forma, pertence mesmo.
Ao
olhar para trás, vejo muito mais do que datas, fotografias ou acontecimentos.
Vejo pessoas que deixaram marcas, caminhos que escolhi e outros que deixei por
percorrer. Vejo erros que, na altura, pareciam derrotas e que acabaram por se
transformar em lições valiosas. Vejo sonhos concretizados e outros que mudaram
de forma ao longo do tempo.
Aos
50 anos percebo que a vida não é uma corrida para chegar primeiro a algum
lugar. É uma coleção de momentos, de encontros, de despedidas, de recomeços e
de pequenas alegrias que muitas vezes só reconhecemos quando olhamos para trás.
Aprendi
que o tempo é o bem mais precioso que possuímos. Aprendi a valorizar mais as
pessoas do que as coisas, mais as experiências do que as aparências. Aprendi
que nem tudo está sob o nosso controlo e que aceitar isso traz uma paz que a
juventude raramente conhece.
Também
aprendi que nunca é tarde para começar algo novo. A idade não fecha portas,
apenas nos ensina a escolher melhor quais vale a pena abrir.
Hoje
agradeço. À família, aos amigos, aos que ficaram e aos que partiram deixando
ensinamentos. Agradeço pelos dias fáceis e pelos difíceis, porque todos
contribuíram para a pessoa que sou agora.
Mas quando olho para esta
fotografia, vejo mais do que um retrato de infância. Vejo o menino que sonhava
sem limites, que descobria o mundo com espanto e que acreditava que tudo era
possível.
Esse
menino nunca desapareceu. Continua aqui em mim. Continua a emocionar-se com as
pequenas coisas, a sonhar novos caminhos, a rir, a sorrir, a aprender e a
acreditar na beleza da vida.
Aos
50 anos, carrego comigo a experiência do homem que me tornei, mas também a esperança
e a vontade de viver daquele menino que um dia fui e que teimosamente continuo
a querer ser.
Porque
envelhecer não é perder a criança que existe em nós. É aprender a caminhar com
ela, valorizá-la e permitir que continue a iluminar o caminho.
Os
50 anos não são um ponto de chegada. São apenas mais uma página de uma história
que ainda está a ser escrita.
E
que privilégio é poder continuar a escrevê-la.
Obrigado Vida!

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