11 setembro 2026


 

11 de Setembro — Entre a memória e a esperança


            Depois de uma pausa motivada pelas férias, regresso a este espaço de memórias. E não encontrei melhor forma de voltar do que recordar um daqueles dias que, apesar de terem acontecido há tantos anos, continuam presentes na memória de todos nós.

            Há dias que passam. Há outros que ficam. O 11 de Setembro é, sem dúvida, um deles.

            Ainda hoje me lembro do ar aterrador do meu colega quando entrou no escritório. Trazia no rosto uma expressão de perplexidade, quase de incredulidade, e disse-nos, meio atordoado: “Estão a atacar os Estados Unidos.”

            Como era possível? Como podia estar a acontecer um ataque daquela dimensão? Pouco depois chegaram as imagens. As torres, o fumo, os aviões, as pessoas a correr, a confusão. E nós, diante dos ecrãs, tentávamos compreender aquilo que estávamos a ver.

            O medo instalou-se. Pela primeira vez, para muitos de nós, a sensação de segurança que dávamos como garantida pareceu desaparecer. O mundo que conhecíamos parecia ter mudado diante dos nossos olhos. Viajar, entrar num aeroporto ou ver um avião no céu, pequenos gestos do quotidiano passaram a ser vistos de outra maneira.

            Mas talvez seja isso que torna o 11 de Setembro tão marcante. Não são apenas as imagens que ficaram nos livros de História. Somos nós que continuamos a carregar aquela memória.

            Todos nos lembramos onde estávamos, o que estávamos a fazer, com quem estávamos e o que pensamos naquele momento. Eu lembro-me daquele escritório, do rosto assustado do meu colega e da sensação de que, a partir dali, nunca mais olharíamos para o mundo da mesma forma.

            Passaram-se anos. A vida continuou, como sempre continua. Vieram outras preocupações, outros acontecimentos, momentos felizes e momentos difíceis. Mas há memórias que não envelhecem. Basta chegar o 11 de Setembro para que regressem, quase intactas.

            E há ainda uma razão muito pessoal para esta data ter um significado especial para mim No meu caso, quero lembrar-me que, logo depois de um dos dias mais sombrios que guardo na memória, a vida quis oferecer-me uma das suas maiores razões para sorrir.

            A minha filha.

            Para mim o 11 de Setembro é a véspera do aniversário da minha filha.

            É curioso pensar que, depois de um dos dias mais sombrios que guardamos na memória, chega o dia seguinte para nos lembrar precisamente do contrário.

             A Vida.

            O nascimento de uma criança traz sempre esperança. É um novo começo, uma promessa de futuro, uma razão para acreditar que, apesar de todas as tempestades, haverá sempre um novo dia.

            Por isso, quando o 11 de Setembro regressa ao calendário, não quero lembrar apenas o medo e a tragédia. Quero lembrar também aquilo que veio depois. A vida que continuou, os sonhos que nasceram e a esperança que nunca devemos perder.

            Amanhã, quando celebrar o aniversário da minha filha, vou lembrar-me inevitavelmente deste dia. Mas a minha memória não terminará no medo.

            Terminará num sorriso.

            Porque depois da tempestade vem a bonança. E, por vezes, a bonança chega da forma mais bonita que existe. O nascimento de uma criança.

            Porque, apesar de todas as tragédias, de todas as incertezas e de tudo aquilo que não podemos controlar, há uma coisa que a vida nos continua a ensinar:

            - Enquanto houver vida, haverá sempre esperança.

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